“Quem sabe
eu possa me tornar, no futuro, um Fernando Meireles”.
Essa frase é de uma das inscritas na primeira
turma do curso de vídeo do Ponto de Cultura
Memórias do Olhar, que o Reino da Garotada
de Poá, SP, está inaugurando em março.
Pelo nível de expectativa da jovem candidata
a cineasta, já se percebe o quanto a implantação
do novo espaço poderá impulsionar a
história de vida dos participantes dos cursos
oferecidos pela instituição nas áreas
de fotografia e vídeo.
Aos 64 anos de atuação em programas
sociais e educacionais dirigidos a crianças
e jovens em situação de exclusão
no município da região grande leste
de São Paulo, o Reino da Garotada começa
mais um desafio, que é agregar a cultura digital
e a comunicação em rede aos seus programas
de capacitação nas áreas de marcenaria,
tapeçaria de móveis, mecânica,
instalações elétricas, corte-costura,
padaria, tear e informática, já implantados
e bastante procurados pela comunidade.
A cultura digital vem se transformando em instrumento
de inclusão e valorização da
cidadania. Por todo o país, o Ministério
da Cultura está implantando Pontos de Cultura,
abrindo espaços para a convergência de
idéias, valorização da cidadania,
encontros artísticos e culturais. O projeto
do Reino, em funcionamento a partir de 10 de março,
segue essa filosofia, com base no aprendizado e desenvolvimento
das linguagens da fotografia e do vídeo. A
proposta do Ponto de Cultura Memórias do Olhar
começa com a oferta de cursos nestas duas artes,
nos períodos da manhã e da tarde, de
segunda a quinta. Na sexta serão promovidos
encontros de todas as turmas dos cursos, com exibição
de filmes, realização de palestras,
eventos que também serão abertos para
a comunidade.
O Ponto de Cultura do Reino pretende interagir com
as outras atividades da instituição,
especialmente com as ações do “Jardim
Literário”, biblioteca da instituição,
que começará um acervo, a partir de
doações, voltado para fotografia, vídeo,
cinema, cybercultura e disciplinas relacionadas a
estas linguagens.
A memória é um tema bastante significativo
para o Reino da Garotada de Poá. Primeiro,
pela necessidade de preservar a sua história
de quase sete décadas, dos primórdios
– quando atuava como um orfanato fundado pelo
padre holandês Simon Switzar, que recebia inclusive
crianças de origem indígena –
aos dias atuais com o atendimento a quase mil crianças,
jovens e adultos, implantando programas sociais diversificados,
como a Creche e o Projeto Tear, de geração
de renda, patrocinado pela UPS. Segundo, pela tradição
deixada por seu próprio fundador, que sempre
manteve arquivos de fotografias, muitas das quais
de inegável valor artístico. Parte deste
acervo integrou a exposição “Poá,
Sonhos e Memória”, que circulou nas escolas
públicas da região, na própria
instituição e esteve em cartaz na CAIXA
Cultural da Praça da Sé, em São
Paulo. A exposição foi o resultado de
projeto patrocinado pela Fundação Vitae
e apoio da Arcor.
Situado
numa extensa área, a apenas cinco minutos da
estação de trem de Poá, em breve
o Reino também terá uma nova quadra
de esportes. Atualmente abriga uma unidade do Projeto
Guri.
Mais informações:
Comunicação do Reino
da Garotada de Poá
Priscila –
4638-2466