Home
.

Biografia
Padre Simon Switzar
Fundador do Reino da Garotada de Poá

> Na Holanda
Filho de Simon Petrus Switzar e de Maria Johanna Eskes, aos 27 de abril de 1905, em Amsterdã, Holanda, nasceu Antonius Franciscus Maria Switzar, nesse mesmo dia solenemente batizado na Igreja do Sagrado Coração de Jesus. Foi o terceiro filho de uma família de sete irmãos, dois dos quais se dedicaram ao sacerdócio de Cristo. Em sua cidade natal viveu a infância e parte da juventude, fez seus primeiros estudos diplomando-se mais tarde em Contabilidade e Economia.
Aos vinte anos sente-se irresistivelmente chamado para o serviço da Igreja, quando então ingressou no "seminário de St. Oedenrode", onde porque não tivesse freqüentado o seminário menor, fez sozinho, sob a orientação de professores particulares, os estudos das disciplinas necessárias ao curriculum superior. Logo após se encaminha para a cidade holandesa de Valkenburg onde fez seus estudos de Filosofia e Teologia. Na capela da Congregação dos Sagrados Corações em Valkenburg, no dia 31 de julho de 1932 foi ordenado sacerdote, a partir de quando, passou a usar o nome de Padre Simon Switzar, pelo qual se tornou internacionalmente conhecido.
Regressa em seguida para St. Oedenrode, onde é nomeado professor. Lecionava e participava de atividades pastorais, pregando durante as cerimônias religiosas, tríduos e retiros, função que acumulava com a de capelão de dois conventos daquela cidade. Nesse mesmo tempo, colaborava periodicamente com artigos de sua redação para a revista "Liefde Koning" em português "Rei do Amor".

> No Brasil
Em 1937, para o campo do seu apostolado elegeu o Brasil, para onde mais tarde viria também seu irmão mais novo - Padre Leonardus. Ainda nesse ano embarcou para o Brasil. Aqui começa a trabalhar na paróquia de Itaquera, onde permanece durante ano e meio. Logo depois foi incumbido de promover a construção do "Seminário Cristo Rei" no município de Ferraz de Vasconcelos. A incumbência reteve-o nessa cidade algum tempo, durante o qual, nos fins de semana, coadjuvava nos trabalhos pastorais da paróquia de São Brás, na capital de São Paulo.
Em 1940 foi nomeado vigário da paróquia de Itajobi. Além das atribuições específicas do mister sacerdotal, oferecia também ao serviço da Igreja toda sua enérgica disposição para o trabalho de assistência aos seus paroquianos mais necessitados. Para eles planejou construir uma vila de casas residenciais. Dois anos após, deixou aquela cidade, não o fez porém sem que tivesse executado o seu projeto. Às doze famílias mais pobres da região foram entregues doze casas para a sua residência. Construiu também uma capela.


> Em Poá
Veio para Poá em 1942, nomeado substituto do primeiro vigário o famoso Padre Eustáquio van Lieshout, que ia então removido para paróquia da congregação. Nessa época, Padre Simon, acumulava as responsabilidades pastorais sobre as almas de Poá., Arujá , Suzano e Ferraz de Vasconcelos. Ainda como vigário de Poá foi co-fundador do Carmelo de São José, instalado aqui em Poá e posteriormente transferido para Jundiaí. Foi nesta época da sua vida que passou a cogitar da fundação de uma obra de amparo, de educação e formação para a infância abandonada, problema social, cujas conseqüências freqüentemente conhecia e enfrentava, como sacerdote. Exerceu o cargo de vigário da Paróquia de Nossa Senhora de Lourdes, de Poá, durante cinco anos.

> O Reino
Aos 30 de janeiro de 1944, juridicamente se constituía esta obra, com objetivo nitidamente delineado de amparar, educar e formar crianças desvalidas, que, através de um tratamento pedagógico adequado e uma assistência moral e religiosa diuturnas, alçariam aquela posição de dignidade a que, como filhos de Deus, tinham inegável direito. A partir daí e até o último dia da sua vida, a catequese, o apostolado junto à infância desamparada constituíram-se o ideal vivo do trabalho e esforço como homem, como educador e pai e sobretudo como sacerdote.
Em 1945, sob a primitiva denominação de "Orfanato Dom Bosco" já funcionava a sua obra, acolhendo e educando, no início apenas meninos, em comprovado estado de desvalimento, e, depois de 1962, também meninas reunindo, de preferência, meninos e meninas irmãos entre si, como desde os primórdios da obra planejara seu fundador.
No transcorrer dos anos, Padre Simon Switzar, foi valorizando o seu dom de educador com larga experiência pedagógica que procurou transmitir através de conferências, simpósios e congressos sobre "educação" realizados no Brasil e exterior. Participou, do "Congresso Inter Americano de Educação de Base", promovido pela Universidade de São Paulo, com o trabalho que intitulou "Portas Abertas", aprovado com voto de louvor. Em 1969, durante o período compreendido entre 16 e 18 de maio participou de uma série de conferências, patrocinadas pela secretaria da Promoção Social do Estado de São Paulo e pela Ação Social da Igreja. Nesse mesmo ano , entre 04 e 12 de outubro, participou do Congresso Internacional de Educação, promovida pela entidade internacionalmente conhecida - "SOS Kinderdorf International" realizada em Viena, na Áustria, que reuniu doutores em Pedagogia e Psicologia, sociólogos e educadores de trinta e seis países, num total de 110 congressistas. Encontrava-se ainda na Europa, quando foi convidado a participar de uma "mesa redonda" promovida pela Universidade de Amsterdã cujo tema foi a "América do Sul e seus problemas sociais". O renhido debate travado entre os participantes contagiou até mesmo a assistência. Sobre variantes do mesmo assusto Padre Simon Switzar foi entrevistado por emissoras holandesas de televisão.
Sua cultura e experiência sobre educação de menores desvalidos, foram enriquecidas também por contatos pessoais com educadores famosos e visitas às suas obras.
Conheceu a famosa instituição americana de Nebraska - Boy's Toe Town". Visitou Padre Borelli e conheceu a sua obra - "Casa delle Scugnizzo" em Nápoles. Esteve na "República dei Ragazzi" nas proximidades de Roma. Encontrou-se com Padre Américo Aguiar, fundador da "Casa do Gaiato" em Portugal.
Padre Simon conheceu e manteve estreito contato com Dr. Hermann Gmeiner, fundador e diretor de "SOS Kinderdorf International", tendo visitado diversas "aldeias infantis" e outros estabelecimentos pertencentes àquela organização. Em 28 de março de 1966 hospedou no "Reino da Garotada de Poá" àquele ilustre senhor, que, juntamente com o secretário geral da organização - Dr. Hansheinz Reinprecht, vinham para estudar a possibilidade da fundação em Poá, e sob sua direção, de uma "aldeia infantil", segundo os princípios e sistema idealizado por Hermann Gmeiner. Desse encontro resultou o mais recente empreendimento de Padre Simon Switzar, hoje uma realidade tangível - a "Aldeia Infantil do Reino da Garotada de Poá".
Publicou-se na Holanda um livro, em forma de romance, cujo entrecho, inspirado pelo "Reino da Garotada" foi por seu autor coll "in loco". De livro didático holandês fizeram constar diversos trechos sobre a obra de Padre Simon. Constantemente se publicou na Holanda, pela imprensa falada e escrita, artigos e reportagens sobre esta instituição, lá conhecida pelo nome de Switzar's Jongensstad.

> Condecorações e Honrarias recebidas

Aos 18 de fevereiro de 1964 foi-lhe conferido pela "Câmara Municipal de Poá" o título honorífico de "cidadão poaense".
Aos 21 de abril de 1964, no clube holandês, em meio a grande grupo de amigos e compatriotas, foi solenemente agraciado pela outorga do honroso título de "Officier in de orde van Oranje - Nassau", conferido por S. Majestade, a Rainha Juliana da Holanda.
Em Poá, nas proximidades do "Reino da Garotada de Poá" foi dado o nome de "Padre Simon Switzar" à uma via pública. No ano de 1968 foi agraciado pela outorga da "medalha de diploma de apreciação da governadoria do distrito L-16" do Lions International, pelos relevantes serviços prestados á comunidade.
Em abril de 1970, em solenidade realizada no Palácio Anchieta através dos componentes da "Câmara Municipal de São Paulo" ao ensejo do aniversário natalício de S. M. a Rainha Juliana, entre outros cidadãos holandeses, como representante do setor da "educação", foi condecorado Padre Simon Switzar com a preciosa "medalha Anchieta.
Aos 12 de dezembro de 1970, em cerimônia oficiada por S. Excia. Revma. Dom Paulo Rolim Loureiro, Bispo Diocesano de Mogi das Cruzes, Padre Simon Switzar, recebe a última homenagem em vida. Foi o preito da Igreja que lhe outorgou a "medalha Pro Ecclesia et Pontifice".
Às primeiras horas da tarde do dia 14 de dezembro de 1970, dois dias após receber a pontifícia comenda, Padre Simon Switzar, elevava-se à eternidade.Traiçoeiramente, ágil e fulminante, surpreendeu-o, a morte em plena atividade. Aquele que acudira e socorrera a tantos, morria sem que lhe pudessem valer o socorro da ciência e os préstimos de amigos. Não obstante a crueldade deste golpe que o arrebatou do convívio das suas crianças e jovens, é forçoso convir que a figura de Padre Simon Switzar não poderia extinguir-se lentamente como a luz bruxuleante de uma vela. Padre Simon morreu como viveu, trabalhando e zelando por sua obra, uma obra de amor e caridade que é fruto do seu operoso apostolado, da sua viva inteligência e do seu idealismo da sua vida. Os alicerces da sua obra levam, como garantia de continuidade, de sobrevivência, o suor e o sangue do seu fundador, o que vale a cristalina certeza do olhar e da proteção de Deus, hoje e por todo tempo em que existirem crianças órfãs e abandonadas.

Reino da Garotada de Poá 2002 - 2013. Todos os direitos reservados